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29/09/2009
Obra pertencente ao acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste

Obra pertencente ao acervo do Centro Cultural Banco do Nordeste

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_____RADISCANNER_______________RADISCANNER_________

29/09/2009

Síntese biográfica

 Artista: João Marcos Sobreira Lucas

Filho de mãe cearense, natural de Cedro, e de pai pernambucano, natural de Garanhuns, João Marcos Sobreira Lucas nasceu em 22 de junho de 1979 na cidade do Crato-CE. Artista Visual, Biólogo formado pela Universidade Regional do Cariri e Acadêmico do Curso de Física pela mesma Universidade. Nunca teve atração em se prender somente a uma única técnica e estilo de arte visual, sempre achou mais interessante experimentar. Suas influências foram, principalmente, os próprios membros de sua família: sua mãe, Vandisa Sobreira Lima, artesã e pintora (naïf, sem influência da pintura acadêmica). Seu pai, José Alayer Lucas, tinha o hábito de esquematizar, desenhar qualquer objeto que fosse construir ou adaptar em sua metalúrgica. Sobreira Lucas adquiriu o gosto pelo improviso de materiais ainda na infância, através de seus pais e ao observar seus tios e seu avô materno ( Luiz Sobreira Lima), artistas do flandres por profissão, a trabalhar em uma rústica oficina em Cedro – CE; muito o impressionava a fabricação de brinquedos, a combinação de vidros com flandres na construção de candeeiros e a transformação de uma placa metálica plana em um objeto tridimensional. Mas, foi com seu pai que cresceu seu interesse pela arte do flandres, quando o mesmo o presenteou, aos 9 anos de idade, com um conjunto de 4 tesouras de flandreiro. Ainda na infância, seu interesse pelo desenho também crescia por influência de sua tia Vanderlene Sobreira, professora do ensino infantil, a mesma o estimulava frequentemente ao lhe pedir para desenhar para ela. Em 1986, aos 7 anos de idade, influenciado por um desenho feito por um estilista de Juazeiro do Norte, passou  a se dedicar ao desenho de figuras femininas. / Em 1987, conheceu em Juazeiro do Norte uma artista visual que muito o impressionou na infância; ao contemplar uma de suas pinturas que representava a nudez com naturalidade e humor, pessoas nuas passaram a ser seu tema preferido nos desenhos a lápis grafite. Iniciou-se à pintura a óleo e acrílico sobre tela mais tardiamente, por volta dos 21 anos de idade. / Em 2003 o vidro passou a ser seu foco; desenvolveu trabalhos de colagem-montagem ( chamada Vidro-Sobre-Vidro). Essa técnica consiste em colar cacos de vidro (com bordas polidas ou fragmentos de vidro temperado) em um vidro plano para obter imagens figurativas de configurações bidimensionais (similares a de um vitral) e tridimensionais (esculturas). / Em 2006 criou a técnica digital Radiscanner. / Em 11 de setembro de 2009 foi a abertura no Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil – Cariri da primeira Exposição de Artes Visuais no mundo em que foi empregada a Técnica Radiscanner. Estão expostas uma coletânea de obras que vai do figurativo ao abstrato e de temas variados, com predominância de animais e figuras humanas, influência de sua formação em Biologia. 

 

 1. Sobre a Técnica Radiscanner

 

Criada por João Marcos Sobreira Lucas em junho de 2006, a técnica Radiscanner consiste em criar imagens através do deslocamento de objetos em um digitalizador; o que fica registrado é a trajetória dos objetos, através de cores puras e intensas. Pela liberdade de expressão, espontaneidade, aprendizagem empírica e fuga aos aspectos formais acadêmicos, a arte obtida através desta técnica apresenta características similares à arte bruta. Nesse caso, podemos chamá-la de arte bruta digital.

O nome Radiscanner (Radical + Scanner) originou-se do movimento apresentado pelos objetos quando são manuseados no vidro do scanner, movimento similar ao dos esportes radicais, como skate e surf. A arte obtida não sofre alterações em suas formas através de softwares de manipulação ( distorção, cortes ou montagens de imagens).

O objetivo da técnica Radiscanner é criar imagens (intencionais, planejadas) através do deslocamento de objetos no scanner, e não o registro digital de um objeto totalmente estático. As cores das imagens obtidas são as mesmas dos objetos utilizados no scanner, como canetas, tecidos de roupas, garrafas, réguas, papéis etc. Os únicos recursos de edição digital utilizados são: um aumento no contraste e uma borracha digital, ambos utilizados para conferir um fundo negro e para apagar possíveis pontos laterais indesejáveis, acidentais, que podem ocorrer durante o processo de digitalização. Porém, nunca a imagem principal passa por alterações de forma ou cortes. Ocorre somente um aumento na intensidade das cores, conseqüência do aumento de contraste.

Um fato interessante é que cada etapa realizada no vidro do scanner deverá ser memorizada como se estivéssemos a “desenhar no ar” ou em uma “folha imaginária”, como costumamos fazer no nosso cotidiano ao mover um dedo, uma caneta, ou os dentes, criando imagens em nossa mente. O desenho, escultura ou pintura no scanner é imaginário, não se risca o vidro com nenhum pincel ou caneta. Somente após a digitalização completa é que a imagem física surge no monitor; ou seja, ocorre a materialização do invisível. Portanto, Radiscanner não é fotografia, já que as imagens obtidas não existiam no mundo físico, apenas em nosso imaginário. Essa é uma diferença crucial que torna essa técnica única no mundo. Foi a primeira vez no mundo em que o scanner foi utilizado de forma sistemática para criar imagens  (figurativas e abstratas ) através do deslocamento planejado e intencional de objetos em um digitalizador. Não se trata de movimentar os objetos aleatoriamente e somente depois ver no que deu. Todas as obras são frutos da intencionalidade.  Quando não se obtém o resultado planejado, as imagens são excluídas e o trabalho reiniciado. Dependendo da complexidade técnica das obras isso pode demorar várias horas ou dias, já que é necessário vários ensaios de movimento, mudança de ângulo e de tempo para conseguir a imagem planejada. Uma característica marcante dessa técnica é a necessidade de estudos (ensaios) de composição através do scanner. Lembrando que: Radiscanner é uma técnica empírica. Somente através de ensaios de movimento, mudança de ângulo e tempo com diversos materiais é que se pode adquirir o conhecimento necessário para criar uma obra intencional. Quem joga um material no scanner, e o movimenta aleatoriamente sem saber o que originará, saiba que isso não é arte. Arte tem que ser intencional. Se o não intencional fosse arte, as fezes, o suor a escorrer no corpo, as pegadas de um cavalo no solo, tudo isso seria arte.

Uma obra de arte, mesmo altamente abstrata, não é produzida aleatoriamente. Quem produz uma imagem no scanner de forma aleatória e, posteriormente a acha interessante e passa a dizer que é uma obra de arte, fruto da intencionalidade, na verdade adotou um acidente. Essa pessoa agiu da mesma forma que alguém que  sujou as mãos de tinta e encostou acidentalmente em uma tela. Ou seja, pelo fato da imagem das mãos terem ficado gravadas na tela não significa que essa pessoa tenha criado uma obra de arte. Houve um acidente, não uma intenção.   

  •  Lembrando que: Se uma obra tiver divergido do seu projeto, a ponto de sua propriedade de comunicação visual tiver sido prejudicada, delete a imagem. Exclua-a ou guarde-a como ensaio. Mas nunca adote um acidente como arte.

 1.1. O movimento dos objetos 

Na Radiscanner, as imagens são obtidas sistematicamente, e não de forma aleatória. Todos as obras são frutos da intencionalidade, como deve ser qualquer obra de arte.

 Quando se diz que, na Radiscanner, as imagens são resultantes do movimento dos objetos, tratam-se de 2 movimentos:

 1ª)Movimento contínuo”: onde os objetos são deslizados continuamente no scanner, sem interrupção da trajetória.

 2ª)Movimento descontínuo”: ocorre através da mudança de posição do objeto de forma que origine uma imagem complementar à anterior para formar uma só imagem ou várias imagens. Neste movimento percebe-se uma interrupção ou espaço entre uma imagem e outra. Ocorre a interrupção da trajetória.

 

1.1.1. Observações quanto à colocação de objetos estáticos.

 Alguns objetos estáticos e pequenos poderão ser inseridos já na posição a ser digitalizada, como por exemplo: objetos que representarão os olhos de alguma imagem; objetos que fazem parte secundariamente do cenário, como complemento de uma informação. A imagem principal nunca é obtida digitalizando um objeto estático por completo. A imagem final, o conjunto obtido, é sempre diferente do cenário físico construído sobre o scanner. Essa é uma singularidade da Radiscanner. A imagem geral deve privilegiar o movimento. Esse é o princípio básico da técnica Radiscanner.

 1.1.2. O Falso Estático

Quando visualizamos algumas obras, pode-se perceber pouco movimento ou um estático aparente. Em algumas obras isso pode acontecer devido ao “movimento descontínuo”  que, como já foi dito no tópico 1.1., apresenta uma interrupção da trajetória.

O “realismo” de algumas obras pode fornecer também uma falsa aparência de objeto estático. As obras obtidas através da digitalização de partes do corpo são comuns passarem por tal engano. Porém, em uma análise das obras percebe-se que as imagens não têm correspondência no mundo físico.

 

1.1.3. A velocidade de digitalização

 A velocidade de digitalização aumenta à medida que se diminui a resolução (em dpi) do scanner. Portanto, para a obtenção de obras em que se exige um tempo maior para realizar a mudança de posição e permuta de materiais é necessário aumentar a resolução do scanner, geralmente para 300 ou 600 dpi. Nesse caso, a velocidade de deslocamento do feixe de luz do scanner é menor. Porém, todas as obras da Exposição Radiscanner, no CCBNB-Cariri / 2009, foram produzidas em 150 dpi.

 Na Técnica Radiscanner, as imagens são criadas através do deslocamento de objetos que acompanham o deslocamento do feixe de luz do scanner. Por esse motivo, é importante escolher a resolução apropriada para que der tempo de concluir seu projeto.

 

1.2. Ensaios

 Após ter planejado quais imagens você deseja criar, incluindo  quais cores apresentarão cada região da imagem, é necessário realizar vários ensaios para ver na prática se os movimentos, resolução do scanner e se os materiais escolhidos são suficientes para oferecer o efeito planejado ou se algum deles precisa ser substituído. Através dos ensaios você poderá realizar comparações para ver o que precisa ser alterado para concretizar o seu projeto. 

Os ensaios são a fase mais longa no processo de criação. Ela pode demorar horas ou dias. Dependerá muito do seu conhecimento de composição no scanner (o que se obtém somente na prática) e da complexidade técnica da obra.

 1.3. Materiais e objetos utilizados

 Qualquer material e objetos podem ser utilizados. Mesmo objetos pesados podem ser manipulados no vidro. Porém, nesse caso, deve-se ter o cuidado de segura-lo com firmeza para não quebrar o vidro ou arranha-lo.

A escolha dos objetos nem sempre é pela forma, mas pelas cores.

Na Exposição Radiscanner no CCBNB-Cariri houve predominância do uso de canetas, lápis coloridos, roupas e as mãos.

 

 1.3.1. Como segurar os materiais

 

Um dos desafios que todos os artistas da Radiscanner enfrentam é a criação de obras complexas que envolvam a utilização de muitos materiais em um mesmo instante de digitalização ou que envolvam uma troca rápida de materiais. A superação das dificuldades dependerá da criatividade e treinamento de cada um.  

  

1.3.1.1. Estratégias Técnicas

 

  • Além das mãos, os objetos podem ser fixados em varetas para serem manipulados através da boca; 
  • Os objetos podem ser deslocados com os pés;
  • Pode-se fixar  vareta(s)  em um capacete leve;
  • Podem-se prender objetos em qualquer parte do corpo que fornecer o movimento apropriado;
  • A melhor forma de se realizar a troca de materiais é deixá-los em locais em que você possa pegá-lo rapidamente. Como em bolsos de sua blusa; presos ao pulso com um elástico; na boca; na cintura, etc.  Cuidado com materiais de permuta na mesa do próprio scanner; ao realizar a troca, tenha cuidado para não pegá-los bruscamente e fazer mover acidentalmente o material que já se encontra em manuseio por você no vidro do scanner.

 As estratégias são infinitas, somente através dos ensaios é que surgem as dificuldades e as necessidades de se adaptar para superá-las.

 

   

1.4. Diferenças técnicas entre a RADISCANNER e a SCANNER ART.

 

Várias são as singularidades da técnica Radiscanner em relação às outras técnicas de arte do scanner. Na técnica Radiscanner os objetos são manipulados no vidro do scanner para gerar imagens através do movimento; na Radiscanner obtém-se um conjunto que não têm correspondência no mundo físico; trata-se de uma materialização do imaginário.

Nos trabalhos dos outros artistas do scanner, o scanner foi utilizado como uma espécie de máquina fotográfica digital que confere profundidade às imagens, através de efeitos de luz e sombra. Ou seja, os objetos são colocados estáticos sobre o digitalizador e digitalizados para gerar uma imagem “idêntica” (mesma forma) ao objeto exposto ou com uma distorção aleatória. Além disso, alguns deles utilizam softwares para distorcer as imagens ou acrescentar elementos estranhos à digitalização. Já na Radiscanner, os objetos são movimentados sobre o vidro do scanner para gerar uma imagem diferente do objeto original, e nunca se utiliza programas para manipular as formas das imagens, distorcendo-as ou montando-as com outras para obter outra imagem. As imagens são trabalhadas no scanner e eventualmente recebem um aumento de contraste e aplicação de uma borracha digital com o objetivo de limpar pontos e marcas laterais acidentais e para conferir um fundo negro. Porém, nunca a imagem principal é alterada em sua forma através de softwares ( nunca ocorrem cortes, montagens ou distorções através de programas de computador). Fato que muito impressiona, devido, muitas vezes, a total incompatibilidade entre os objetos utilizados e a imagem obtida com o digitalizador. Os objetos apenas sofrem deslocamentos e são expostos mais adiante no vidro do digitalizador para gerar uma outra imagem complementar à anterior. O objetivo é “desenhar”, “pintar”, compor imagens no scanner, e não utilizá-lo como uma máquina fotográfica digital.

Radiscanner não é fotografia, visto que a imagem obtida não existia no mundo físico antes da digitalização. A imagem existia somente em nosso imaginário. Essa é uma diferença crucial entre a Radiscanner e a Scanner Art (esta outra  técnica tem o objetivo de registrar imagens estáticas idênticas aos objetos utilizados. Portanto, usa-se o scanner como uma espécie de máquina fotográfica digital.)

  

 Fig.1. Resumo de diferenças técnicas entre a Radiscanner e a Scanner Art.
Técnica Radiscanner Scanner Art
Objetivo Criar imagens imaginárias através do deslocamento de objetos no scanner. Registrar imagens reais.
Uso de Software de manipulação(cortes, distorções, montagens..) Não se Pode Usar. Pode-se Usar.
Princípio básico Privilegia o Movimento. Privilegia o Estático.
Resultado das Obras(Arte  obtida) Não tem correspondência com o mundo físico. Tem correspondência com o mundo físico.

 

  •  A arte produzida na Radiscanner é gerada em uma única digitalização. Não são usados artifícios de distorção, manipulação de imagens através de softwares, colagem digital ou qualquer artifício no gênero.

 

 

1.5. Breve histórico sobre o uso dos digitalizadores nas artes visuais

              

  • 1980 : “Arte Postal”. Os digitalizadores já foram empregados por artistas visuais desde 1980, quando o brasileiro Hudinilson Jr. fotocopiava todas as partes externas do seu corpo e enviava as imagens via correio para outras pessoas.

 

  • 2002: Scanner Art. A americana Katinka Matson utilizou o scanner para digitalizar flores. Scanner Art foi o nome atribuído a essa de arte.

 

  • 2006: Radiscanner. Sobreira Lucas, ainda sem conhecer os trabalhos dos artistas anteriores, fato de extrema importância que o levou a criação de um trabalho totalmente diferente dos outros artistas do scanner, criou a técnica Radiscanner. Devido à singularidade da técnica e do seu estilo, foi enquadrada em categoria diferente das outras artes do scanner. Nesse ano, em junho de 2006, surgiu a técnica Radiscanner.  

  

  • 2009. No dia 11 setembro de 2009 foi a abertura no Centro Cultural Banco do Nordeste do Brasil – Cariri da primeira Exposição de Artes Visuais no mundo de obras produzidas com a técnica Radiscanner. Foi apresentada uma coletânea de 37 obras do artista visual João Marcos Sobreira Lucas em variados temas. A Exposição foi patrocinada pelo Governo Federal através do CCBNB.

 

 

 

 

 

 

A Lágrima. Obra criada através da Técnica Radiscanner

08/09/2009

A LÁGRIMA

Convite para a Exposição Radiscanner

08/09/2009

EXPOSIÇÃO RADISCANNER